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Qual o lugar reservado à criança?

Atualizado: 15 de dez. de 2021



Crédito da foto: composição de imagens Plataforma Youtube.


Essa pergunta foi um dos pontos abordados pela Drª. Cibele Carvalho, em sua conferência “Casa, escola, rua ou mídia: que lugar reservamos às crianças?”, apresentada no Laboratório de Pesquisas da Comunicação nas Infâncias (LabGim). O encontro, transmitido ao vivo pelo Youtube em 06 de dezembro de 2021, marcou o encerramento da primeira edição do Círculo de Estudos do LabGim. A mediação foi da Profª. Drª. Juliana Tonin, coordenadora do LabGim.

Cibele Carvalho, Doutora em Educação e pós-doutoranda em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolve pesquisas sobre a socialização de crianças em territórios de vulnerabilidade. Em seu doutorado, Cibele realizou um estágio doutoral na Université Paris V (França), sob a supervisão de profª. Drª. Régine Sirota, professora emérita do Centre de Recherche sur les Liens Sociaux (CERLIS/Universidade Paris Descartes).

Em sua fala, debateu, a partir de premissas da Sociologia da Infância, sobre os espaços reservados às crianças na sociedade contemporânea, problematizando algumas situações onde sua presença é considerada e regulada pela gestão dos adultos.


Infância é uma construção social, marcada por sucessivas exclusões sociais que demarcaram espaços e informações reservadas exclusivamente aos adultos. Essa reserva traçou fronteiras geracionais nos espaços, passaram existir espaços de crianças e espaços de adultos, o que em outros tempos não existiam, demarcou tempos, de adultos e de crianças, designou atividades e classificou informações de acordo com a idade. Do ponto de vista do espaço, o processo de urbanização separou a criança do resto da cidade, do bairro, da vizinhança, e definiu o espaço doméstico e a escola como territórios infantis. Aliás, a escola passou a delimitar o tempo das crianças, que passaram a ser mensurados em hora de aula, do recreio, dias letivos, férias escolares... Períodos que não só configuram o tempo da criança mas a rotina das famílias, as dinâmicas das cidades, o trânsito...

Drª. Cibele Carvalho - conferencista


Em sua tese intitulada “Nascer em berço de ouro: os quartos infantis como instância de socialização de crianças pertencentes a estratos sociais favorecidos”, Cibele estudou os quartos das crianças, resultado das reconfigurações espaciais dentro e fora de casa, e das desigualdades sociais na qual estão inseridas, em contraste com a rua, que ainda é possível ser acessada em algumas localidades e nas periferias dos grandes centros. De todo modo, ressaltou o quanto as cidades foram se tornando hostis às crianças, agravado pela violência, bem como em decorrência da facilidade de acesso às tecnologias de informação que possibilitaram novas formas de lazer longe das ruas.

Citando Sarmento, em associação a Sirota, reconheceu que, além de ser excluída/preservada dos espaços públicos, dos direitos políticos, das atividades comerciais, as crianças também estão submetidas à classificação das informações, daquilo que podem ver, ouvir e falar e aquilo que elas não devem saber e aquilo que elas devem se calar. As classificações indicativas dos produtos culturais, que geralmente regulam quatro grandes temas: a violência, a morte, o sexo e as drogas, são para Cibele uma reserva simbólica, cambiável socialmente, mas que está presente em muitas produções audiovisuais. Ela apresentou dois exemplos de cenas de filmes que abordam temas de violência e suicídio e que são problematizados por serem debatidos em frente às crianças, com sua participação no diálogo travado pelos adultos.

A Drª. Cibele Carvalho é também editora da revista de atualidades para crianças Manga de Vento. Ela contou a experiência de desenvolver uma publicação com a participação direta das crianças na produção editorial, apoiada pelos adultos. Esse modo de envolver a criança na construção dos conteúdos tem reflexo no modo de produção e permite trazer a perspectiva da criança sobre sua realidade.


As crianças, como diria Walter Benjamin, estão do lado dos mendigos, dos artistas, elas estão no lado B do mundo, elas não tem nada a ver com os grandes veículos de comunicação, é um outro olhar sobre o mundo que elas nos provocam. Isso nos faz pensar sobre o que é atualidade. No caso da criança, a atualidade é uma micro realidade. A notícia para ela pode ser algo que para o adulto não tenha a menor importância, enquanto que alguns grandes assuntos podem não interessar à criança.

Drª. Cibele Carvalho - conferencista


A Conferência está disponível no canal do LabGim no Youtube. [link]

O evento encerra as atividades da 1ª edição do Círculo de Estudos do LabGim, espaço de conhecimento criado para debater e aprofundar temas centrais para as pesquisas desenvolvidas no laboratório, a partir dos campos de estudos da Comunicação, Sociologia da Infância e Sociologia e Antropologia do Imaginário. Os encontros do Círculo de Estudo ao longo do semestre são voltados aos integrantes do LabGim, com a participação de integrantes egressos, com a mediação do pós-doutorando Anderson dos Santos Machado e a supervisão da Profª. Drª. Juliana Tonin. Neste semestre, foram abordados textos científicos de Régine Sirota e sua contribuição aos estudos da Sociologia da Infância.


Texto: Anderson Machado

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